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Resoluções de Ano Novo

Resoluções de Ano Novo

O que todas as resoluções de Ano Novo têm em comum é o ser/ter/querer melhor do que no passado. Perder peso, ter uma vida mais saudável, parar de fumar, deixar de beber, passar mais tempo com a família. Estas são algumas das resoluções de ano novo mais comuns. Contudo, cerca de 88% têm como resultado final o fracasso (O’Connor, 2019).
Afinal O que é que acontece? Porque é que todos os anos tentamos estabelecer novos objetivos, mas sem sucesso?

Definir objetivos é fácil e faz-nos sentir bem, todavia, executá-los, já não é assim tão simples… Quando pensamos “Este ano vou ser mais saudável e ativo”, transmite-nos uma sensação boa, faz-nos sentir motivados só de pensar em ter uma vida mais saudável e ativa. Mas, quando estamos sentados no sofá a comer aquelas bolachas de chocolate… aí é que começam as dificuldades.

As resoluções de Ano Novo, por norma, enfrentam uma força poderosa - O hábito

Somos animais de hábitos, 40% das atividades que realizamos no quotidiano são comportamentos resultantes da sua repetição frequente e, para criar um novo hábito precisamos de 28 a 254 dias (Hemingway, 2015).

Podemos identificar 3 protagonistas neste processo: O gânglio basal, o córtex pré-frontal e a amígdala:

NEW YEAR’S RESOLUTIONS

– O gânglio basal é o responsável pela dificuldade que sentimos em alterar “aquele” péssimo hábito que temos. Essa região do nosso cérebro é primitiva, inconsciente, e é responsável por reter hábitos, respostas automáticas e rotinas. Todavia, este gânglio pode ser nosso amigo. Quando interiorizamos comportamentos, tais como lavar os dentes ou conduzir, estes tornam-se mais automáticos e inconscientes, libertando o córtex pré-frontal para que possa executar funções cognitivas da melhor forma. Isto é, para alterar estes comportamentos, é necessário coordenar a atividade do gânglio basal com a atividade noutra parte do cérebro – no córtex pré-frontal.

E como se pode fazer isso?

– O córtex pré-frontal é a área responsável pela memória de curto prazo e pela resolução de problemas abstratos. Mantém-nos focados, sendo por isso natural que nem sempre estejamos concentrados nas nossas resoluções. Esta zona fica com excesso de informação em face das inúmeras resoluções e tarefas a seu cargo, gerando-se a receita ideal para o fracasso. Estudos revelam que, quando esta área do cérebro está sobrecarregada, tendemos a tomar más decisões  (Hemingway, 2015). Para evitar que o córtex pré-frontal fique sobrecarregado, é necessário escolher não mais do que um objetivo, de cada vez

“A tired brain, preoccupied with its problems, is going to struggle to resist what it wants, even when what it wants isn’t what we need.”
Jonah Lehrer (author)

Como é possível contribuir de forma positiva e consciente para esta região do cérebro? Quando somos gentis connosco próprios, o nosso cérebro liberta serotonina, um neurotransmissor essencial para um bom funcionamento do córtex pré-frontal. Ou seja, quando conseguimos apreciar as nossas qualidades e celebrar os pequenos sucessos, torna-se mais fácil para o nosso cérebro eliminar os maus hábitos em prol de outos mais benéficos.

– A amígdala, é a responsável pelas emoções, entre outras funções, e está localizada no cérebro. Quando ficamos demasiado excitados ou com raiva, a amígdala vai ter um impacto direto no córtex anterior singular, responsável por avaliar o custo/benefício. O stress prolongado faz com que amígdala fique demasiado excitada, aumentando de tamanho o hipocampo e diminuindo o córtex pré-frontal de tamanho e, consequentemente, desligamos o córtex anterior singular (Soares, 2018). Ou seja, o resultado conduz a más decisões.

O stress e o cansaço também são vilões!

Por fim, destaco como o stress e o cansaço também se tornam vilões. Quando nos encontramos nesses estados, temos mais dificuldade em alocar energia e sangue ao córtex pré-frontal, entrando num estado mais carente e é quando um desejo de dopamina (hormona ligada à sensação de bem-estar, da atenção e foco) surge. E esta fórmula indesejável tem como consequência a necessidade de dopamina rápida, ou seja, algo que nos satisfaça de imediato, por exemplo junk food. O oponente da resolução de ano novo de ser saudável (Soares, 2018).

7 Sugestões para concretizar as suas resoluções

Deixamos-lhe 7 sugestões para que as suas (Re)soluções de Ano Novo resultem:

  • Escolha apenas uma resolução (no máximo duas);
  • Estas resoluções deverão ser transformadas em objetivos SMART (Specific, Measurable, Achievable, Relevant and Time-based), ou seja, deverão ser muito concretos, fáceis de medir, atingíveis, devem ser muito relevantes para si e ter um prazo de execução.
  • Formule os seus objetivos com uma linguagem positiva. Por exemplo, em vez de dizer que vai perder peso, diga que vai atingir o peso “x”, o seu peso pretendido. Ou que vai adotar um estilo de vida saudável e que isso significa, por exemplo praticar exercício físico 3 vezes por semana, comer alimentos saudáveis (de acordo com o regime alimentar escolhido), dormir 6 a 8 horas diariamente, meditar “x” minutos todos os dias, outras soluções que sejam as ideais para si.
  • Escreva-as(s) num caderno da forma mais detalhada e concreta que conseguir. Escreva também o que vai sentir quando os seus objetivos forem atingidos. Associar emoções positivas ajuda-o a criar ancoragens para o que vai sentir quando atingir o seu objetivo.
  • Transforme essas grandes resoluções em objetivos mais pequenos – os baby steps; desta forma, vai realizando as suas conquistas – objetivos pequenos são mais fáceis de realizar, pelo que a probabilidade de autossabotagem é menos.
  • Registe diariamente no seu caderno todas as suas vitórias e celebre-as! Celebrar estas vitórias traz-lhe a consciência de que é capaz, contribui para elevar a sua autoestima e para o motivar a prosseguir na conquista do seu grande objetivo.
  • Partilhe os seus objetivos com alguém e peça-lhe ajuda. Ter alguém a quem “prestar contas” ajuda ao compromisso.

As resoluções de Ano Novo acontecem porque estamos a iniciar um novo ciclo.  O nosso desejo para si é que as suas (re)soluções de Ano Novo comecem quando estiver preparado e não após o 3, 2, 1… As soluções que queremos para 2021 são produto do que podia ter sido melhor em 2020.  Com CONFIANÇA de que somos capazes tudo se torna mais fácil. Estamos sempre a tempo de iniciar um novo ciclo e esse novo ciclo é quando quisermos!

Bibliografia:

Hemingway, M. (2015). The neuroscience behind New Year’s resolutions. Https://Www.Davidsonwp.Com/. https://www.davidsonwp.com/blog/2014/12/the-neuroscience-behind-new-years-resolutions

O’Connor, W. T. (2019, January 1). Blame It on the Brain: Why Breaking New Year’s Resolutions Is All In The Mind. Medium. https://medium.com/@profbillyoconnor/blame-it-on-the-brain-why-breaking-new-years-resolutions-is-all-in-the-mind-ee4fe283f680

Soares, J. (2021). Reload. Menos stress. Melhor performance. (Portuguese Edition). Porto Editora.

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