Desconstruindo: urgente & importante

Um miúdo de seis anos de idade que faz uma birra e se recusa a ir para a escola é considerada matéria urgente. Ir para a escola todos os dias é importante.

Amenizar um cliente irritado é urgente, construir sistemas e compromissos que impeçam os clientes de ficar zangados é importante.

Matar os insetos na cozinha é urgente, colocar repelente para mantê-los no exterior a longo prazo é importante (tal como é evitar substâncias cancerígenas).

Há quinze anos atrás, Elian Gonzales estava no centro de uma verdadeira tempestade mediática. Era uma questão urgente, que envolveu chefes de Estado. Mas não era tão importante como, eventualmente, a normalização das relações e do bem-estar de milhões de pessoas.

Na verdade, as notícias de última hora, seja qual for o tipo, raramente são importantes.

Importante significa: a longo prazo, de fundo, coerente, no interesse de muitos, estratégico, eficiente, positivo …

Se cuidar de coisas importantes, as coisas urgentes não aparecem com tanta frequência. O oposto não é verdade.

Vamos começar por aqui: O propósito da postura da CNN NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA (as maiúsculas são intencionais) não é o de criar uma cidadania mais informada. É o de ganhar dinheiro.

A razão pela qual, sites de tecnologia, sites financeiros e outros atraem a atenção é porque é divertido. É emocionalmente envolvente estar conetados a uma história quando não sabemos como isso vai acabar. Quando a história se desenrola, quando estoira, nós tornamos-nos emocionalmente ligados a ela.

E assim, a BBC dedica muito tempo de emissão conversando com alguém no local de um acidente de avião, mesmo que ele não tenha a menor ideia sobre o que aconteceu. Porque ele poderia. Porque nós estamos lá.

A menos que seja um trader, este drama de assistir ao acontecer da notícia no imediato (itálicos intencionais) não vai ajudá-lo a tomar melhores decisões – na verdade, vai tornar piores as suas decisões. Também é improvável que o vá fazer mais feliz. Ou mais inteligente. Estamos mais propensos a ter medo do terrorismo do que da mudança climática a longo prazo, embora seja claro que o último mate e fira muito mais pessoas do que o primeiro.

As notícias que consumimos muda-nos. Não apenas as notícias fabricado pela CNN, mas as notícias fabricadas pelo nosso chefe, pelos nossos investidores e clientes.

A nossa escolha, então, é decidir se queremos participar no passatempo de viver através de notícias de outras pessoas, em vez de nos concentrarmos no que é realmente importante.

Posted by Seth Godin em January 19, 2016

Imagem: canva.com

 

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